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Gastrectomia Parcial e Total

Consiste na retirada total ou parcial do estômago resultando em conseqüências nutricionais, agudas ou crônicas, perfeitamente prognosticáveis, mas nem sempre ponderadas na terapia pós-operatória. O objetivo é rever as participações mecânicas e químicas do estômago no aproveitamento do nutriente dietético, e as conseqüências nutricionais da gastrectomia. A deficiência energética, com conseqüente perda de peso, acompanha inversamente o volume gástrico remanescente e o tempo pós-operatório; tem a anorexia e diarréia (má absorção) como principais causas, sendo a primeira decorrente de fatores emocionais ou de mediadores químicos de ação hipotalâmica. A diarréia pode ser decorrente da maior motilidade ou do supercrescimento bacteriano intestinal, com o agravante da insuficiência pancreática exócrina e maior esvaziamento da vesícula biliar. A má absorção traz conseqüências não apenas energética-protéica com a perda fecal de gordura e nitrogênio, como também vitamínico-mineral pelo menor aproveitamento da vitamina D e cálcio dietéticos. A anemia verificada no gastrectomizado é conseqüente à diminuição da produção de HCl (e menor solubilização do ferro) e do fator intrínseco (com menor absorção da vitamina B12). É realizada para tratamento do câncer do estômago.

As contraindicações mais comuns são: Função cardiopulmonar comprometida, desnutrição severa, invasão pelo tumor de grandes vasos sangüíneos, doença metastática à distância.

 

 - Procedimento

A via de acesso ao estômago pode ser feita através de videolaparoscopia (cirurgia realizada através de pequenos orifícios com o auxílio de uma câmera de vídeo e instrumentos especiais) ou cirurgia aberta. A primeira opção parece ser menos agressiva e permite uma recuperação mais rápida, mas a retirada de gânglios normalmente não é tão minuciosa. O tratamento consiste na retirada cirúrgica total ou parcial do estômago, de um avental de gordura preso ao estômago chamado “epiplon” ou “omento” e dos linfonodos (gânglios linfáticos) ao seu redor. Estes linfonodos também são encontrados ao redor das artérias que levam sangue até o estômago, fígado e baço. Como podem estar afetados pela doença, devem também ser retirados (linfadenectomia radical D2). A extensão de estômago que precisa se removida depende da localização do tumor. Tumores no antro normalmente são tratados com retirada parcial do estômago (gastrectomia parcial ou subtotal). Os de corpo, fundo e cárdia requerem a retirada completa do órgão (gastrectomia total). Se houver invasão direta de outros órgãos ao redor do estômago (fígado, pâncreas e baço, principalmente) é possível retirar a parte acometida destes órgãos “em bloco” com o estômago, ainda oferecendo oportunidade de cura. Faz-se então uma emenda entre o que restou do estômago e o intestino delgado (gastrectomia subtotal) ou entre o esôfago e o intestino delgado (gastrectomia total). Após o término do procedimento, é colocado um dreno próximo a área em que foi feita a emenda e no território onde os gânglios foram retirados. Opcionalmente, pode ser colocada uma sonda para alimentação precoce. Esse procedimento dura em média de 3 a 4 horas.

 

FIG 1 – Posicionamento para incisão

 

 

FIG 2 – Local da incisão e condição do estômago pós-cirurgia

 

 - Recuperação pós-operatória:

No período pós-operatório imediato o paciente deve ficar na sala de recuperação anestésica, quando bem acordado retorna para o quarto. Após uma gastrectomia subtotal, a dieta é iniciada por boca no 3º dia após a cirurgia, se o intestino estiver funcionando. No caso de uma gastrectomia total, entre o 7º e 10º dia. Se uma sonda nasoenteral tiver sido introduzida, a alimentação pela sonda é iniciada no 2º dia após a cirurgia. Inicialmente o paciente começa ingerindo alimentos líquidos, progredindo para alimentos pastosos e sólidos. Antes do início da dieta é realizado um exame onde o paciente ingere um contraste para verificação de possíveis vazamentos. Os drenos são retirados no dia da alta, se dosagem de amilase no líquido drenado for normal.

 

 - Tempo médio de internação:

O tempo médio de internação varia de 5 a 7dias nos casos de gastrectomia subtotal e de 7 a 10 dias nos casos de gastrectomia total.

 

 - Complicações mais freqüentes: 

1. Clínicas (trombose venosa profunda e tromboembolismo pulmonar);

2. Cirúrgicas (sangramento, pancreatite aguda / fístula pancreática, vazamento na anastomose gastrojejunal (emenda feita entre o estômago e o jejuno), vazamento do coto duodenal (o duodeno é fechado na sua parte proximal, nesta cirurgia), dumping (esvaziamento gástrico rápido, provocando diarréia).

 

 - Alterações no estilo de vida:

Devido à perda da capacidade de armazenamento do estômago, a quantidade de alimentos que o paciente é capaz de ingerir não é mais a mesma. Geralmente é necessária uma adaptação do hábito alimentar, onde menores porções de comida são ingeridas mais freqüentemente. A perda de peso é freqüente. O dumping melhora com o tempo."